
(grazie tanti pla imagem, auff)
bem vindos ao covil da carmo, onde vão ler coisas que preferiam não saber, onde a sensação de perda de tempo vai ser a mais realista que alguma vez tiveram, onde vão encontrar a carmo na sua essência e isso pode não ser uma coisa boa, onde vão ficar a saber mais da sua vida do que alguma vez desejaram e que existe unicamente no sentido de compensar a frustração de já não ter idade para ter um diário, até porque já não tem piada escondê-lo!


Summertime,


"Rapariga irritada mata homem irritante"
A tragédia abateu-se sobre a pacata cidade de Vila Real quando uma mulher assassinou um homem a sangue frio num café local. Conhecidos da vítima manifestam total horror e surpresa pelo acontecimento. A dona do estabelecimento, A Tasca do Mandrião, onde ocorreu a desgraça falou com a carmuue’s magazine (C'sM). «Olhe, eu já devia ter adivinhado que isto estava para acontecer. O homem irritante, andava mesmo muito irritante ultimamente, e ela, sabe, é das de pavio curto, ninguém se lhe pode dizer nada que ela responde à letra, nunca deixa ninguém ir sem troco… Ele até lhe achava piada ao jeito e dizia-me - Ó ti Maria, isto é amor, a sujeita diz que não, diz que não mas é amor! Pelo seu lado ela dizia-me, mexendo no café, Este tipo não tem emenda, Deus o ajude se um dia eu me chateio a sério! E daí, acho que nem Deus o ajuda, nunca vi coisa igual! Que homem irritante! Eu sorria e dizia-lhe que não ligasse, que ele era mesmo assim, deixá-lo ser desgraçado à maneira dele, homens irritantes como ele acabam sempre sozinhos, sem eira nem beira…Ele há-de ter o que merece, continuava eu a dizer. No início parecia funcionar, a rapariga irritada piscava-me o olho e dizia, tem toda a razão, ti Maria, ele nem merece que a gente se aborreça, e lá ia à vida dela. Mas depois…Mas olhe, que se eu pudesse ter evitado isto evitava. Não por ele, sabe, que era mesmo irritante e fazia-me a cabeça em água, e eu com tanto trabalho no meus estaminé e ele sempre a contar-me as suas histórias… que Deus ou o Diabo o tenham! Mas por ela, coitadita, tão boa moça, tão novinha, com uma vida pela frente, para o que lhe havia de dar…»
(to be continued)
tempo a mais nas mãos não é só desvantagens...olhem só o que eu descobri:
"Fica comigo esta noite", Inês PedrosaEsta compilação de contos oferta verdadeiros momentos de humanidade. Destaque para "Conversa de café", o favorito aqui da menina! "Eu cantava o fado numa tasca de Alfama. Cantava sópor desporto, às sextas e sábados, pela noite fora. Por sinal cantava bem. Pelo menos era o que me diziam, que eu era afinadinha. Punha tudo a chorar, até carregava nas letras para puxar as lágrimas, inventava umas desgraças mais desgraçadas ainda do que me chegavam à voz."
"O vendedor de passados", José Eduardo AgualusaFélix Ventura tem um ganha pão invulgar, vende passados falsos a prósperos empresários, políticos, generais, enfim, a emergente burguesia angolana, que nada teme do futuro mas que lhe falta... um passado glamouroso. Curiosamente esta ocupação permite-lhe uma boa vida, confortável e que ele dedica à pequenas coisas que lhe dão prazer, a leitura, as mulheres e as conversas um um amigo com o qual partilha a casa. " A semana passada Félix Ventura chegou mais cedo e surpreendeu-me a rir enquanto lá fora, no azul revolto,uma nuvem enorme corria em círculos , como um cão, tentando apagar o fogo que lhe abrasava a cauda. "
nota: é que gosto do ratátátá
Pois é amigos, a vida é cruel mas eu sou mais!
Manias da carminho:
Manias da carminha:

| You Are 80% Weird |

Muuuito obrigada pela visita susie!

"Parábola do cágado velho", Pepetela
"Ulume, o homem, olha o seu mundo. Por vezes a terra lhe parece estranha. Fica num planalto sem fim, embora se saiba que tudo acaba no mar." Um livro delicioso que nos permite uma visão intimista sobre a guerra civil de Angola, de como separou famílias e os conflitos entre as velhas tradições e os novos costumes "mais civilizados".
"Os coxos dançam sozinhos", José Prata
O inspector da Polícia Judiciária Porto Brandão acumula com as suas funções de manter a sociedade limpa de crimes, o hobbie de matar velhas prostitutas. As coisas complicam-se por ser ele o inspector encarregue do caso e tornam-se ainda mais alarmantes quando ele se apercebe que as cenas dos crimes não se encontram exactamente como ele as deixou....
abençoada com exemplares momentos de partilha. Com ou sem papelinhos, posso dizer que tenho uma sorte do caraças!O Sr. Reeder é um detective privado que trabalha para o gabinete de promotor público. O Sr. reeder é um individuo de aspecto singular, de expressão fechada que foi abençoado por um poderosíssimo poder de dedução. O Sr. Reeder atribui esta sua ultima capacidade a uma peculiaridade do seu carácter: "É uma desgraça, mas é verdade. Vejo mal em tudo...tenho a mente de um criminoso." Para quem gosta de policiais e mesmo para quem não gosta nada. É entusismante deliciarmo-nos com a mente preversa de Mr Reeder.
"Timbuktu", Paul Auster
Mr. Bones é um cão de raça indefenida " e para piorar ainda mais as coisas, tinha umas rebarbas de porcaria espichando do pêlo andrajoso, fedores vários emanando da boca e uma perpétua tristeza injectada de sangue espreitando nos olhos." Mas Mr. Bones é um cão de grande inteligência, percebe tudo o que o dono diz. O dono William Gurevitch é um vagabundo-poeta-errante. No fim dos seus dias e depois de ter percorrido toda a América com Mr. Bones deslocam-se a Baltimore onde William pretende encontrar a sua velha professora de Inglês para lhe entregar os seus escritos e confiar o seu cão. Sobre este livro Salman Rushdie disse:"Um livro extraordinário" e eu digo que o senhor Rushdie tem toda a razão. Cada vez mais Paul Auster é um dos meus autores favoritos.
"Nome de Toureiro". Luis Sepúlveda
Sepúlveda estreia-se no estilo de "romance negro" com escepcional mestria. (aliás, não se poderia esperar outra coisa!). Dois personagens obscuros são contratados para descobrir um tesouro precioso que havia desaparecido da prisão de Spandau, durante os anos do nazismo. Um, Belmonte, o que tem nome de toureiro, anda clandestino desde que fugiu do Chile e após ter lutado "pela causa" noutros paises; o outro Frank Galinski é um militar do antigo regime a quem a queda do muro de Berlim o deixa no desemprego e entregue a uma progressiva pobresa. Ao longo do desenrolar da história somos levados a reflectir sobre as ideologias autoritárias em várias das suas frentes. "Benditos sejam os cinco mandamentos da clandestinidade que facilitam os movimentos dos seus filhos bem amados, de acordo com os quais se deve saber quais os bares onde as retretes têm janelas, que obrigam uma pessoa a ter apartados postais onde ser guardam documentos e os escassos bens, a ter sempre à mão um bilhete da linha aérea nacional e para a cidade mais importante, a soletrar os nossos nomes com todas as letras para aparecerem bem transcritos nas lista de passageiros. e a ter como uma amante uma putéfia com quem se deve ser generoso sem pedir em troca nada que a envergonhe." Livro para ser lido, relido e reflectido.
0% do tempo a ser maltratado pelos graúdos e pelos outros meúdos.
"A morte de um apicultor"
Lars Gustafsson
Depois da morte de Lars Lemmart Westin,o narrador recolhe textos do próprio dispersos entre vários cadernos e misturados com listas de compras, afazeres e desabafos de um homem que na Primavera descobre que não sobriverá até ao Outono... "Não nos rendemos. Recomeçamos!"
"Contos apátridas"
de Bernardo Atxaga, Santiago Gamboa, Antonio Sarabia, Jose Manuel Fajardo e Luís Sepúlveda
Trata-se da reunião de cinco contos de cinco autores que têm em comum além da lingua materna (espanhol), uma colectiva sensação de não pertencerem a nacionalidade nenhuma em particular... Cada um dos contos traz-nos personagens igualmente apátridas. Torna-se-me difícil escolher o melhor entre eles, são todos de uma qualidade incontestável!..." O importante nem sempre é vencer, artolas!"
(sem imagem) "Dezoito tentativas para se chegar a santo"
Jean Vautrin
Compilação de 18 contos. Destaque para o conto que dá o nome à compilação e para "Rosa, por assim dizer". Não me tirou o sono, mas também não é uma completa perda de tempo... "...mais vale isto do que ser atacada a ferro quente por uma engomadeira!"
Nota: Não temam sequer por um momento que aqui a amiga pretenda tornar-se crítica literária! Trata-se apenas de uma fase de leitura compulsiva (impulsionada pelo excesso de tempo livre causado pelo desemprego), que se me torna possível apenas por numa fase anterior eu ter tido uma compulsiva vontade de comprar livros sem nunca os ter lido. Dedico-me agora a esgotar o stock de livros não lidos...
